UM “FAMOSO” NA CAPADÓCIA
Março de 2019. Dia 26. Chegamos à Capadócia e, praticamente na última hora, resolvemos aceitar o desafio: subir em um balão e navegar pelos céus de Göreme.E que experiência…
Lá do alto, a cerca de seiscentos metros — ou talvez mais —, contemplamos um dos cenários mais impressionantes do mundo: o vale esculpido pelo tempo, as formações rochosas únicas e as famosas “Chaminés de Fadas”, erguidas como sentinelas no Vale dos Monges, naquela região central da Turquia, já do lado asiático.
Mas não é exatamente sobre o voo que quero falar.
O que trago aqui é o meu inesperado — e inesquecível — “dia de celebridade”.
Tudo começou logo na chegada. Visitávamos o reduto de São Jorge, o Guerreiro, quando notei algo curioso no ar. Um certo movimento diferente por parte dos ambulantes. Olhares mais atentos. Sorrisos discretos.
E, de repente, minhas fotos.
Enquanto as demais eram exibidas timidamente, as minhas apareciam em destaque — várias, espalhadas pela loja de lembranças, como se houvesse ali um interesse especial, quase inexplicável.
Confesso: estranhei.
Mas o episódio não parou por aí.
Já na cabana onde aguardávamos o momento de embarcar no balão — que repousava a poucos metros, inflando lentamente —, um dos tripulantes se aproximou de mim e, com a ajuda do tradutor do grupo, pediu uma selfie. E mais: quis outra foto, para levar à família.
Ali, definitivamente, algo estava fora do comum.
E assim foi durante toda a nossa permanência na Capadócia.
Por onde eu passava, os olhares vinham em minha direção — curiosos, atentos, quase reverentes. Eu, sem entender absolutamente nada, apenas sorria e retribuía, tentando decifrar aquele pequeno mistério internacional.
Mais tarde, nosso guia deu uma possível explicação: segundo ele, eu me parecia com um ator turco de muito sucesso nas televisões do país.
Qual ator? Que novelas? Que filmes?
Até hoje, não faço a menor ideia.
Talvez não fosse um artista específico. Talvez fosse apenas o conjunto — o rosto, a barba, o jeito — algo que, por coincidência, se encaixava perfeitamente naquele padrão turco de galã de novela.
E assim, sem nunca ter gravado uma cena sequer, vivi, na Capadócia, meu único e inesquecível dia de fama internacional.
Confesso: ainda bem que era um artista.
Porque, sinceramente… poderia muito bem ser confundido com um bandido ou, pior ainda, com um político corrupto.
