quinta-feira, 23 de abril de 2026

Um dia no Saara

 O maior deserto do mundo tem um nome: Saara e abrange onze países na África e, entre estes, Marrocos, onde o conheci em novembro de 2022. O Deserto passa por territórios da Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Chade, Níger, Mali e Mauritânia e forma também o Saara Ocidental. 

O Saara é conhecido como um dos maiores desertos quentes do mundo, é o terceiro e perde apenas para a Antártida e Ártico, não se espantem, estes dois também são considerados desertos pelos especialistas, e tem uma área de nove milhões e duzentos mil quilômetros quadrados, e seu ponto mais alto está no Chade,  Mountain Koussi, com 3.450 metros. 

O Saara virou um deserto há mais de dez mil anos quando aconteceu uma mudança drástica no eixo de rotação da terra, provocando um giro de poucos graus mas o suficiente para uma grande transformação climática e criando o Deserto que ganhou este nome. 


Por um euro a mais

 

Novembro de 2022, Deserto do Saara, Marrocos, mais precisamente em Ben Haddou, próximo a um grande pavilhão onde as filmagens hollywoodianas são realizadas, ou eram, não sei o certo, nos encontramos com este personagem da foto ao lado, que não queria ser fotografado, não aceitava papear comigo, claro que com nosso guia Hassan como intérprete, e, como os seus companheiros no centro de Marrakesh apenas faziam gestos. 

Eu não entendia e tentava me aproximar. Ele não me entendia e ameaçava colocar a cobra, ou serpente, no meu pescoço. Chamei Hassan e perguntei: O que se passa, o cara está arredio mas não se afasta de mim. 

E o guia me disse: - Mostre a ele algumas moedas de Euros que ele te chamará para fotos e até deixará pegar a serpente. E eu coloquei uma nota de cinco Euros e uma moeda de um Euro na mão e cheguei próximo, ele mandou eu me abaixar, quis colocar a serpente no meu colo ou no pescoço, que recusei, e se deixou fotografar e filmar à vontade. E o Hassan, no final da sessão de fotos, disse que o cara me adorou e queria que eu ficasse com a serpente por alguns Euros a mais. Rimos muito, agradeci, do jeito marroquino, e me mandei antes de fazer negócio com o cidadão. 

Conhecendo a Casa de Maria

 Dia de conhecer Éfeso, a nossa cereja do bolo desta viagem. 

 Sabem o que significa estar em Éfeso? É chegar na última morada da Virgem Maria, um Santuário Católico/Mulçumano localizado no Monte Koressos. Antes visitamos a Biblioteca Celsus e andamos pelas ruínas da cidade antiga, que foi varrida por um maremoto e depois reconstruída em outro local.  Dali seguimos para Ismir, uma das mais tradicionais cidades do lado asiático da Turquia, onde pernoitamos e esperamos para conhecer o Cavalo de Troia. 

Passar por Éfeso me trouxe uma emoção profunda, as lágrimas correram como cascada pelo meu rosto e me senti abençoado pela Virgem Maria, nossa protetora. 

O voo no balão


Ah, claro, na manhã deste 25 de março teve um capítulo especial daquela vuagen a Turquiam en 2919, chegou a hora do Voo no famoso Balão da Capadócia.

E não há muito o que descrever, é uma sensação única, que você sentirá de um jeito diferente do que eu senti, que Marina sentiu e que nosso grupo, formado em Istambul, Gil, Janice e Sinézio, sentiu ao levantar voo e ficar parado por sobre aquele cenário incrível por algum tempo e depois sobrevoar a região como estivéssemos em um carrinho qualquer aqui no solo. Fantástico é pouco para definir o passeio, que, como diz o ditado "se for à Turquia e não voar no balão da Capadócia é como ir a Roma e não ver o Papa ou a Nova Iorque sem visitar a Estátua da Liberdade. 

Dia 6 - As emoções começaram a brotar, aos borbotões, à medida que passava o tempo aumentava a sensação de que um dos objetivos da viagem estaria sendo cumpridos, mas ainda faltava passar por Kônia, onde visitamos o museu dos Medievais e assistimos, à noite, a dança típica dos kônicos, e nos preparamos para seguir em frente, e no próximo destino estava Pamukkale, um dos mais belos lugares que passamos neste roteiro de dez dias pela Turquia, o Castelo de Algodão, um lugar maravilhoso onde a mão de Deus se aproximou e colocou ali uma beleza incomum.

A histórica Pirenópolis

 

Os bonecos de Olinda

  


Badalado Nordeste Brasileiro tem suas atrações bem divulgadas pela mídia turística e algumas, como Porto de Galinhas, decepcionam a muitos, como nós (eu e Marina) ou agradam a outros milhões que dizem ser um das praias mais legais de todo o litoral nordestino. 

Não concordo, em parte, com todos estes elogios, talvez tenha sido um momento ruim do lugar ou meu humor não estava para praia, que confesso não ser fã de carteirinha, mas o lugar não me agradou, a estrutura poderia ter sido melhor e o atendimento, na orla e nos bares, deveria ser repensado pelos administradores de Ipojuca, município onde está o Distrito de Porto de Galinhas. 

Passamos um dia inteiro na Praia dos Carneiros (foto acima) e não sei se o lugar ou se realmente é constantemente assim, som alto, ambulantes demais, e contadores de piadas, de baixo calão, também com som alto, irritando quem está na praia e quem almoça ou saboreia um petisco com cerveja nos bares do entorno. Nota 5 para Porto de Galinhas.

Mas Recife e Olinda nos encantou, dois lugares maravilhosos, na capital um belo passeio pela orla, uma noite de música e comida típicas da cidade e em Olinda uma visita panorâmica e depois andar pelo centro histórico e conhecer o verdadeiro Nordeste Brasileiro. 

Mangue Seco bem molhado

 

Depois de três dias no Sergipe, curtindo um City Tour, uma noite legal, e uma visita super bacana no Cânion do Xingó, chegou a vez de conhecer aquilo que a TV Globo nos mostrou, há alguns anos bem distantes deste 2024, através da famosa novela "Tieta", baseada em uma obra do baiano Jorge Amado, "Tieta do Agreste", que teve como cenário este canto da Bahia, divisa com Sergipe, que ganhou o nome de Mangue Seco e ficou nacionalmente conhecido através da citada obra do grande escritor brasileiro. 

Sábado, 11 de maio de 2024, partimos cedo do Real Praia Hotel, na Orla

Atalaia, em Aracaju, levados pela Top Tour, a operadora que nos serviu neste sétimo passeio pelo Nordeste Brasileiro, e logo na saída percebemos que não seria uma jornada "seca" no Mangue Seco, a chuva caía desde a madrugada e a previsão do serviço de meteorologia era chuva para o dia inteiro, mas não nos importamos e seguimos, liderados pela dupla de guias, me perdoem mas o nome não me recordo no momento já que a grande preocupação era com o tempo instável e com muita chuva. 

E a pergunta era: Teremos um passeio legal? Já que estava pago e incluído no programa do dia, lá fomos nós, eu, Marina, um casal que ficou na metade do caminho, em outro programa, foram ficar com os Tambaquis em um Parque Aquático, e seguimos para nosso destino e conhecemos a Carolina, que disse "muito prazer, sou Carol, de Capitólio, Minas Gerais, um dos mais belos lugares deste país".  Um dia vou lá para comprovar, mas, por enquanto, falaremos da frustração do Mangue Seco, que estava molhado demais para uma visita normal. 

Seguimos em direção a Praia do Saco, ainda no Sergipe, onde atravessamos em um barco a motor, que nos levou, eu, Marina, Carol e os dois guias, até ao nosso destino, e o Buggy foi alugado, o guia Sérgio muito simpático e eficiente motorista, começou o passeio conosco, apenas três turistas corajosos que enfrentaram chuva e vento para tentar completar as cinco paradas obrigatórias. 

A primeira até que a chuva ameaçou uma trégua, disse apenas ameaçou, pois a força da água aumentou e daí até a quinta parada foi apenas tentar fotografar, filmar ou descer do Buggy para andar nas areias molhadas do Mangue que é seco por natureza. Não deu... infelizmente, não deu. Na quarta parada desistimos mas o Sérgio insistiu para que fôssemos pelo menos até a parada Romeu & Julieta para ver de perto um pouco da beleza do lugar. Topamos, mas ali terminou nosso passeio decepcionante, não pelo lugar e sim pela chuva, que para eles foi uma bênção e para nós apenas um motivo para ficar na barraca de apoio da operadora. 

Então, como o tempo teria que ser cumprido ficamos por ali bebendo e comendo, aliás, quebrei uma rotina de quase quarenta anos sem beber uma "caipirinha" e mandei descer uma com pinga e limão e veio no capricho e valeu a pena o papo com Carol, que conhecemos naquele dia e me parece que se tornou uma amiga de longos anos. 

A volta foi ainda sob forte chuva, e, graças às orações de Marina para Nossa Senhora, a chuva nos deu trégua de dez minutos, o suficiente para que nos atravessassem o Rio Real tranquilamente. E foi assim que conhecemos o Mangue Seco, bem molhado. 

Conhecendo o Velho Chico

 

Um dos mais bonitos cenários do Nordeste Brasileiro está no Canion do Canindé, também conhecido como Canion do Xingó ou simplesmentee Canion do Rio São Francisco, e está situado na divisa de Alagoas com Sergipe, na cidade de Canindé do São Francisco, lado sergipano, e Piranhas, lado alagoano,  sua formação trouxe uma beleza espetacular para o nosso principal rio e uma descoberta turística que fez do Canindé um dos lugares mais visitados da região. 

Rodamos por quase 250 quilômetros de Aracaju até Canindé para ver

esta formosura de formação rochosa, criada por Deus e adorada pelos turistas, que visitam o Sergipe em qualquer época do ano. O Canion do Rio São Francisco é o quinto maior canion, navegável, do mundo, são cerca de 65 km e só foi possível a navegação por ali após a criação da Hidroelétrica de Xingó, que criou um lago artificial, com águas claras e profundas, que possibilitou a
exploração deste grande polo turístico do Nordeste Brasileiro. 

Estivemos por lá em 10 de maio, comemorando nosso aniversário de casamento, quarenta e nove anos, e  às vésperas de nossas Bodas de Ouro, eu e Marina pudemos conhecer o Velho Chico, sua beleza imensa e ouvir histórias e causos do mais famoso rio brasileiro que é amado e idolatrado pelo nordestino. 

Atravessando o Mar Egeu

 


 O Último Olhar para o Egeu

Depois de Istambul e seus minaretes recortando o céu.

Depois da imponência de Ancara.
Depois da altitude mágica da Capadócia.
Depois do silêncio místico de Konya.
Depois da emoção profunda em Éfeso.
Depois da história milenar de Troia.

Veio o mar.

Saindo de Çanakkale, navegando pelo Mar Egeu, o roteiro encontrou seu encerramento perfeito.

Nada de monumentos.
Nada de ruínas.
Nada de museus.

Apenas água azul infinita, vento frio cortando o rosto e um sorriso impossível de conter.

Marina em êxtase.

Sentada ali, envolvida no casaco, mas completamente entregue ao momento.
O sorriso dela diz tudo: a viagem tinha valido cada quilômetro percorrido.

O Mar Egeu não foi apenas cenário.

Foi síntese.

Aquelas águas já testemunharam impérios, guerras, mitos e travessias épicas.
E agora recebiam dois viajantes brasileiros celebrando a vida.

Fechar a Turquia assim foi simbólico.

Depois de tanta história em terra firme, o mar ensinou leveza.
Depois de tanta profundidade espiritual, o horizonte ensinou liberdade.

A viagem não terminou ali.
Mas ali ganhou paz.

E talvez seja essa a melhor definição da Turquia no seu roteiro:

Dois hermanos no Bernabeu

 

Alguns amigos me cobram por não falar de contar causos e passagens interessantes de minhas viagens, e a eles respondo, sem medo de ser feliz, que contei o que sabia e teve até "licença poética" para contar algumas passagens interessantes e, acontece que meu chip de memória está cheio, meus causos estão encerrados e não  dá para falar sem repetir assunto ou personagens, como já tem ocorrido já faz algum tempo. 

Por isto resolvi mudar o rumo da prosa, falei de viagens, casos verdades e alguns também com a já conhecida "licença poética", e o que é licença poética, segundo os autores de novelas e contos, são versões de casos reais, com um preenchimento por conta do autor mas sem fugir da realidade, como nos meus casos contados por aqui, todos reais, mas as vezes alguns diálogos são colocados para ilustrar as histórias contadas. 

Como por exemplo esta, em Madrid, onde vi Zidane, Ronaldo. Roberto Carlos, Beckhan e outros craques galáticos daquele Real Madrid que vi, ao vivo e a cores, no Estádio Santiago Bernabeu, sentado em um lugar privilegiado, a dois metros do campo de jogo, onde o ingresso custou, para a Espn nada é claro, mas para os dois irmãos que estavam ao meu lado, dois espanhóis, a bagatela de 145 Euros, e isto no já distante ano de 2005.

Assistíamos, eu e a turma de premiados do concurso da Espn Internacional, Real Madrid x Atlético de Madrid, o maior clássico da cidade, tipo Fla-Flu ou Corinthians x Palmeiras, ou Gre-nal, Atle-tiba ou Galo x Raposa, entenderam bem? Pois é, final do primeiro tempo os dois manos subiram até o bar para buscar sanduíches e cerveja, fizemos o mesmo e lá fomos nós buscar algo para matar a fome. 

E foi neste retorno que descobri que a educação do Europeu é bem diferente da nossa, os dois estavam sentados na nossa fileira, tentarei explicar: Um na cadeira 140 e outro na 143, ou seja, um, eu, Marina e o outro, e estavam dividindo o sanduba e a cerveja de longe, no sacrifício e então se deu um entendimento entre nós. 

Em um "portunhol" que dava para nos entendermos, disse ao que estava a meu lado.  - Cambiamos de lugar, fique ao lado do hermano, disse eu. 
Ele, mostrando o bilhete, com o número da sua cadeira, me disse: - Não, não podemos cambiar, compramos estes números e devemos ficar neste lugar.
- Tipicamente civilizado, lá no Brasil você compra um lugar marcado e quando chega tem um cara em pé, tomando conta de sua cadeira, disse eu tentando novamente convence-los a trocar de lugar e se sentarem juntos. 

Depois da interferência de nossa guia, que falou com ele, em espanhol correto, de nossa intenção, eles resolveram trocar e se sentaram juntos, e, para minha surpresa, o mais velho subiu novamente as escasas e voltou com dois belos sanduiches de Jamom, o presunto de pata negra, o melhor do mundo, e um baita copo de cerveja e outro de refrigerante, e daí até o final do jogo parecíamos amigos de infância e nos entendemos bem até hoje, falamos pelas redes sociais porque aqueles quarenta e cinco minutos do segundo tempo foram suficiente para nos entendermos e trocarmos endereço de e-mail. 

Entenderam como é a tal "licença poética", o fato é real e o diálogo fica por conta da nossa imaginação e correção. Vou continuar contando outros causos até que volte a "terrinha" para carregar novamente o chip da memória. 

O Rio de Janeiro visto do Cristo

 Posso não ser o mais viajado dos turistas mas um dos mais felizes da face da terra e fiz as viagens que sempre sonhei e fotografei os grandes monumentos do planeta terra e quero compartilhar com os meus amigos e seguidores meus momentos de conquistas e das 

realizações de grandes sonhos de criança. 

Começo pelo que é nosso e que foi realizado há poucos dias, um desejo de ver de perto o Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo moderno, que tive o prazer de fotografar e visitar em maio deste ano da graça de
dois mil e vinte e dois. 

E o que é o Cristo do Rio de Janeiro? Uma estátua que representa Jesus Cristo, em art deco, com 38m de altura e localizada no Moro do Corcovado, a 780 metros acima do mar e que dá ao turista uma visão ampla da Cidade Maravilhosa e, segundo a mídia mundial, um dos cartões postais mais visitados do mundo e um dos lugares mais espetaculares criados pelo hoje para assistir a um cenário criado por Deus. 

Madrid - A primeira vez ninguém esquece

  


Alguns amigos me cobram por não falar de Miracema nas últimas colunas, e a eles respondo, sem medo de ser feliz, que contei o que sabia e teve até "licença poética" para contar algumas passagens interessantes da cidade, acontece que meu chip de memória está cheio, meus causos estão encerrados e não dá para falar sem repetir assunto ou personagens, como já tem ocorrido já faz algum tempo. 

Por isto resolvi mudar o rumo da prosa, falei de viagens, casos verdades e alguns também com a já conhecida "licença poética", e o que é licença poética, segundo os autores de novelas e contos, são versões de casos reais, com um preenchimento por conta do autor mas sem fugir da realidade, como nos meus casos contados por aqui, todos reais, mas as vezes alguns diálogos são colocados para ilustrar as histórias contadas. 

Como por exemplo esta, em Madrid, onde vi Zidane, Ronaldo. Roberto Carlos, Beckhan e outros craques galáticos daquele Real Madrid que vi, ao vivo e a cores, no Estádio Santiago Bernabeu, sentado em um lugar privilegiado, a dois metros do campo de jogo, onde o ingresso custou, para a Espn nada é claro, mas para os dois irmãos que estavam ao meu lado, dois espanhóis, a bagatela de 145 Euros, e isto no já distante ano de 2005.

Assistíamos, eu e a turma de premiados do concurso da Espn Internacional, Real Madrid x Atlético de Madrid, o maior clássico da cidade, tipo Fla-Flu ou Corinthians x Palmeiras, ou Gre-nal, Atle-tiba ou Galo x Raposa, entenderam bem? Pois é, final do primeiro tempo os dois manos subiram até o bar para buscar sanduíches e cerveja, fizemos o mesmo e lá fomos nós buscar algo para matar a fome. 

E foi neste retorno que descobri que a educação do Europeu é bem diferente da nossa, os dois estavam sentados na nossa fileira, tentarei explicar: Um na cadeira 140 e outro na 143, ou seja, um, eu, Marina e o outro, e estavam dividindo o sanduba e a cerveja de longe, no sacrifício e então se deu um entendimento entre nós. 

Em um "portunhol" que dava para nos entendermos, disse ao que estava a meu lado.  - Cambiamos de lugar, fique ao lado do hermano, disse eu. 
Ele, mostrando o bilhete, com o número da sua cadeira, me disse: - Não, não podemos cambiar, compramos estes números e devemos ficar neste lugar.
- Tipicamente civilizado, lá no Brasil você compra um lugar marcado e quando chega tem um cara em pé, tomando conta de sua cadeira, disse eu tentando novamente convence-los a trocar de lugar e se sentarem juntos. 

Depois da interferência de nossa guia, que falou com ele, em espanhol correto, de nossa intenção, eles resolveram trocar e se sentaram juntos, e, para minha surpresa, o mais velho subiu novamente as escassas e voltou com dois belos sanduíches de Jamom, o presunto de pata negra, o melhor do mundo, e um baita copo de cerveja e outro de refrigerante, e daí até o final do jogo parecíamos amigos de infância e nos entendemos bem até hoje, falamos pelas redes sociais porque aqueles quarenta e cinco minutos do segundo tempo foram suficiente para nos entendermos e trocarmos endereço de e-mail. 

Entenderam como é a tal "licença poética", o fato é real e o diálogo fica por conta da nossa imaginação e correção. Vou continuar contando outros causos até que volte a "terrinha" para carregar novamente o chip da memória. 

O Gueto de Varsóvia

 Tenho um amigo, parceiro das sextas-feiras no Armazém, louco por viagem e que fica fascinado quando conto, a seu pedido e do Henrique, sobre os lugares que visitei, Manoel, um cara do bem e que tem como hobby assistir os programas de turismo na tevê e amante dos filmes de guerra e histórias do tempo das barbáries da Segunda Grande Guerra. 

Não sou vaidoso nem mesmo o desejo de mostrar os meus roteiros, simplesmente gosto de passar para os amigos minhas experiências em viagens e dizer que andar por aí não é tão difícil assim, basta querer abdicar de alguma coisa supérflua e dizer: Vou voar e ser livre e fiz, nestes vinte e cinco anos andando pelo mundo, muitos amigos pensarem diferente e que hoje sentam comigo para contar as suas aventuras no Brasil e no mundo. 

E porque digo isto? Porque ontem, o Manoel me contou que lembrou de mim quando assistia "O Pianista" na sua telinha, e ficou contando para esposa cada lugar que via e me disse: - Dutra, incrível, tudo aquilo que você contou lá no Ninil eu sentia que era comigo também, um belo filme e suas histórias me fizeram ficar grudado na televisão, e até a "patroa" gostou e quer te conhecer. Aqui ao lado uma foto (minha) do Monumento as vítimas do Gueto de Varsóvia. 

Agradeci e dei uma dica para ele: Assista "O Menino do Pijama Listrado", você se verá dentro de Auschwitz e lembrará de outras passagens que contei lá no Armazém, vale a pena recordar, e, falando em filmes de guerras, que tal ver a Lista de Schilling? Outro cenário inesquecível para quem andou pelo Leste Europeu. 


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Um dia em Veneza

Estacionamos no hotel, em Veneza Mestre, onde ficaríamos após o passeio pela ilha que abriga a deslumbrante Veneza. Chegamos depois de cruzar o Mar Adriático e atracar em um dos cais próximos à Basílica de São Marcos e à Praça de mesmo nome — que de “linda” não tem nada… é simplesmente maravilhosa, encantadora.

Ali, tudo pulsa: músicos, mágicos, pombos, gente bonita, gente alegre. Uma mistura fascinante de raças, cores e pensamentos que transforma o cenário em algo quase irreal.

E então veio o momento mágico.

O passeio de gôndola pelo Grande Canal. Éramos apenas nós — eu e Marina —, um casal de músicos, com acordeom e violino, e o gondoleiro, conduzindo com sua tradicional camisa listrada. Enquanto deslizávamos pelas águas de Veneza, ouviam-se as músicas que marcaram nosso namoro, noivado e casamento.

Ali, o tempo não passava. Ele apenas lembrava.

Dançando no bunker

 Polca no frio do Leste Europeu

No Leste Europeu, enfrentávamos a primavera mais fria dos últimos 40 anos. Já eram quase dez dias rodando pelas estradas e, confesso, a gente precisava de um pouco de diversão.

Saímos à noite. Termômetro marcando menos três graus. O destino era uma casa simpática, acolhedora, dessas que abraçam a gente antes mesmo do primeiro gole de vinho. Ao chegar, comentei com Marina e o Chico, meus companheiros de mesa:

— Hoje vai ser uma grande noite. Essa música e a dança polaca me fazem voltar aos tempos de Miracema, às audições da professora Onidéia… quantas vezes dancei músicas de vários países naqueles shows que ela ensaiava com tanto capricho.

Entre um vinho e outro, assistíamos às apresentações dos bailarinos poloneses, até que veio a surpresa. O guia perguntou quem queria subir ao palco para dançar com eles.

Nem pensei em me manifestar.

Mas o Chico, que já ouvira meus causos de “dançarino”, não perdeu a chance: — Chama o Dutra! Ele tá dizendo que sabe dançar polca!

E fui. Sem medo de ser feliz.

Dancei — segundo a polaca que fez par comigo — maravilhosamente bem. Dei meu show particular, fui aplaudi

do e ainda pediram bis. Recusei, com a elegância de quem sabe a hora de sair por cima. Não ia pagar mico na segunda chance.

Mas aí veio o golpe deles.

Nos bastidores, os dançarinos resolveram me testar de verdade. Me chamaram de volta ao palco e puxaram uma polca mais rápida, mais alegre, daquelas de tirar o fôlego.

Se a intenção era me derrubar, se estreparam.

Mais uma vez surpreendi a todos — inclusive a mim mesmo. Com a mesma parceira, deslizamos pelo palco como dois profissionais. Leve, solto, como se Miracema tivesse atravessado o oceano comigo.

Foi um barato.

E eu nem fazia ideia de que Marina estava ali, registrando tudo em fotos e vídeos. Já o Chico, de pé, aplaudia e ria, confessando que tinha me chamado esperando um vexame — desses que a gente promete e não entrega.

Falava demais de Miracema, dizia ele, dessa tradição de grandes dançarinos…

Pois teve que me engolir.

Sob o céu de Paris

 

Por que Paris chorou tanto no dia em que cheguei?

Seria a presença incômoda de turistas — especialmente aqueles asiáticos que invadem praças e monumentos com flashes e lentes potentes? Não creio. Prefiro pensar que a cidade apenas quis mostrar que sua beleza não depende do sol. Sob tempestade, ela também encanta — talvez até mais.

E foi assim que reencontrei Paris pela segunda vez. Uma chuva torrencial caía sobre a Cidade Luz — e não foi suficiente para fazer o grupo de brasileiros recuar. Nada de hotel, nada de refúgio em bar. A ordem era andar, molhar e viver.

Refiz o city tour de 2008. E, como sempre acontece por lá, o repetido nunca é igual. Na primeira vez, o outono ensolarado iluminava tudo com delicadeza. Agora, sob a chuva, a cidade parecia outra — mais dramática, mais cinematográfica.

A Torre Eiffel, então… ah, a Torre.

Vista, fotografada e filmada sob chuva, parecia uma deusa indiferente ao tempo. Imponente. Bela. Intocável.

A grande surpresa veio à noite, no Hotel Ibis Bastille. Sentados ao nosso lado no jantar, dois casais puxam conversa:

— Conheço você de algum lugar. De onde vocês são?

— Campos, interior do Rio. E vocês?

— Então é isso! Vejo sempre sua foto no Diário!

Pronto. Paris, naquele instante, virou Campos.

E o mundo, que já é pequeno, encolheu mais um pouco.

Dali nasceu uma nova dupla para o grupo — ou melhor, uma nova sintonia. E vieram passeios juntos, risadas compartilhadas e aquela sensação boa de encontrar “os seus” do outro lado do oceano.

Voltamos ao Museu do Louvre, caminhamos sem pressa pelas ruas e, numa manhã ensolarada — porque Paris também sabe pedir desculpas — seguimos mapas e placas até a Catedral de Notre-Dame, erguida desde 1163 em homenagem à Nossa Senhora.

Aos poucos, o grupo ia se formando de verdade. Nada de títulos, nada de formalidade. Era Carlos, Fábio, gente comum com histórias grandes. O ônibus, guiado pela espanhola Beatriz e conduzido por Paco, virou quase uma extensão de casa.

E que grupo. Pontual, leve, parceiro. Dez dias de convivência que começaram ali e terminariam na Alemanha — com frio, estrada e boas histórias.

Os sete graus médios não atrapalharam. Pelo contrário. Para brasileiro em viagem, frio também é atração.

Repeti roteiros antigos, mas fiz algo novo: subi a Torre Eiffel. Vi Paris do alto — e entendi por que ela é tão cantada. Depois, fiz o que todo europeu leva a sério: sentei em um café, pedi um expresso e fiquei ali, sem pressa, como se o tempo tivesse sido inventado só para aquele momento.

Você acha que a chuva continuou?

Nada. Três dias claros, limpos, quase um pedido de desculpas da cidade.

E em um desses momentos, veio à cabeça Édith Piaf, com sua voz eterna em “Sous le ciel de Paris”.

Porque, no fim das contas, ela estava certa:

Sob o céu de Paris… caminham os apaixonados.

E, pelo visto, mesmo debaixo de chuva, eles continuam caminhando.